A presidente do Sindicato dos Profissionais de Nível Superior com Habilitação Específica para o Sistema Penitenciário de Mato Grosso (SINPHESP/MT), Eunice Teodora dos Santos Crescencio, a Nicinha, afirmou na noite desta terça-feira (20) que a mobilização dos servidores públicos foi determinante para ampliar o percentual da Revisão Geral Anual (RGA) discutido na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
A declaração foi feita após o encerramento da sessão em que os parlamentares analisaram a mensagem do Poder Executivo sobre o índice inflacionário aplicado aos salários do funcionalismo estadual. Inicialmente, o governo propôs 4,26%, percentual correspondente à inflação oficial de 2025, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo Nicinha, a pressão exercida por sindicatos, associações, federações e pela base dos servidores resultou em avanço nas negociações, elevando o índice para 5,4%.
“Se essa mensagem tivesse sido votada na semana passada, o índice seria de 4,26%. Em apenas dois dias de mobilização, conseguimos um aumento de 1,14%. Isso mostra que quando nos unimos e vamos para a luta, o resultado aparece”, afirmou.
A dirigente sindical ressaltou que, apesar do avanço, a categoria ainda não alcançou a recomposição total das perdas acumuladas. De acordo com ela, o Estado segue em dívida com os servidores.
“Não perdemos. O Estado ainda nos deve. De um total de 19,53%, agora faltam 18,38%. Essa dívida existe e precisa ser reconhecida. Vamos continuar lutando para recuperar esse percentual”, destacou.
Nicinha também chamou atenção para a tramitação de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que trata do reconhecimento formal dessa dívida com o funcionalismo público. Para ela, a mobilização seguirá sendo fundamental para garantir a aprovação da matéria.
“Essa PEC vai entrar em tramitação e nós vamos precisar estar mobilizados para que ela seja aprovada, independentemente do modelo que venha, mas com o reconhecimento de que o Estado deve aos servidores públicos”, pontuou.
Além da RGA, a presidente do SINPHESP/MT afirmou que a luta sindical também irá avançar sobre outros temas sensíveis, como irregularidades em contratos de crédito consignado, que, segundo ela, têm gerado endividamento em massa dos servidores e impactado direitos históricos da categoria, como o direito de greve.
“A luta continua. Hoje foi apenas uma batalha, a guerra é maior. Juntos somos mais fortes”, concluiu.
A mensagem do Executivo foi lida em plenário nesta terça-feira e deve ser votada ainda nesta quarta-feira (21), para que o reajuste possa ser implementado na folha salarial de janeiro.


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